Saturday, 26 April 2008

Saturday, 19 April 2008

11 de setembro de 2007

Título sugestivo... mas não tem nada, absolutamente nada, a ver com o atentado de 2001. Na verdade, estava me lembrando da minha companheira de aventura - Toddy -, e resolvi recuperar um e-mail que enviei (justamente dia 11.09.07) pra galera contando do nosso primeiro encontro.
Porra, como eu gostava daquela bike! Lembro-me dela como se lembra de um venho amigo. Com ela vi o verão acabar, vi as folhas cairem e, no nosso último dia juntas, adamos na neve!
Cara! Acordar cedo pra ir pra facul, respirar aquele ar geladinho e ir pra aula ouvindo música e pedalando... que falta sinto disso! Lembro que as vezes eu estava com preguiça de sair de casa, ter que vestir aquele monte de roupas, muitas vezes estava chovendo... Era eu me ver sobre a bike que pensava: "preciso sempre lembrar o quanto gosto desses passeios e sair todos os dias, mesmo que não tiver que fazer nada na rua..."
E ir pra balada de bike, então! ou melhor, voltar... não tem preço! Sair da balada e procurar a bike... alguns tombos também... Fizemos até amigos numa volta pra casa e acabamos mudando o percurso e indo pra outra balada (that's The Crazy Brazilian Girl in the Wonderlands... hehe...)

Heis o e-mail:

>>> TODDY, MINHA COMPANHEIRA DE AVENTURAS


É com grande satisfação que me despeço da minha vida de pedestre.

Finalmente tenho uma Bike!
>>>Yes, nós temos Bikes!
Para os que não acostumados, esse é um dos meus ilustres tracadilhos... :D
(Flagra: "Yes, nós temos bananas."!?)
Eu sei, não fui feliz (pra variar)... Prometo melhorar... Ou não...

Eu estava decidida... Sexta seria o dia D! Ia resolver minha vida... Lavar roupa, ir ao supermercado, imprimir o material, comprar uma máquina fotográfica e, principalmente, não voltar para a casa sem uma Bike.
Coloquei meu desperdar para os 8 da manhã... E, com pontualidade britânica, ele trocou exatamente às 8h... Impressionante! Até os despertadores são pontuais aqui no Velho Mundo!
Mas EU, como sou brasileira (e já desisti... Comentário nada a ver de novo, sei... Desculpa!... Será que a sopa de cogumelos que tomei hoje eram de "cogumelos holandeses"!?...hauhauhau... Estou retardada!), resolvi dormir mais um pouquinho.. hehe...
Enfim, com todo meu preparo físico das últimas jornadas, 9 e pouco estava no centro e meio-dia já tinha ido a todas as lojas de bicicletas da cidade e nada de bicicleta de segunda mão... :'(

Mas...

>>> Não contavam com minha astúcia!!!

Tive uma idéia brilhante...
(Não, dessa vez não foi comprar duas cartelas de bebidas e dar PT!)

Comprei a passagem de trem mais barata que tinha e fui para uma cidade que nem lembro o nome...
E, numa lojinha escura, logo ao lado da estação, estava ela... Só à minha espera...
Apesar de um primeiro contato um pouco inseguro e desajeitado, em alguns minutos já estávamos íntimas e partimos para nossa primeira aventura:

>>> Encontar o caminho de casa!

Sim, voltamos peladando!
Eram só uns 30 e poucos Km... Uns 35, acho...
Praticamente todo o território of The Netherlands (Países Baixos), ou Holanda, é plano...
Mas como Murphy é meu amigo, Maastricht fica na única região onde há algumas montanhas e é a cidade mais alta do país...

"Mas a vida, a vida é uma caixinhas de surpresas..."

As subidas não foram nosso maior obstáculo...

Paradoxalmente, as placas foram as grandes vilãs da história!
As danadas nos fizeram andar em círculos! Quando estávamos a 30km (se é que essa placa também não era uma das mentirosas...), uma delas, nos disse para irmos para um lado... Inocentemente acreditamos e seguimos na direção em que ela apontava... Após algum tempo, outra nos disse para irmos para outro lado... A princípio, hesitamos... Pacerecia que estávamos andando em círculos...(!?) Mas eu, com todo meu senso de lateralidade, resolvi acreditar... Quem iria desconfiar de uma placa tão simpática!? E a Bike, para não me deixar sozinha, foi junto... Mais algum tempo e outra maldita: "Maastricht: 30 km" (!!!) Nessa hora, tive certeza de uma coisa:

>

>>

>>> A Bike se chamaria Toddy!

>>>> Minha companheira de aventuras!

(... Alusão ao Toddynho, a propósito... Hehe...)

Apesar das placas, estavamos, pouco a pouco, mais perto... pelo menos mais perto de algum lugar, estávamos... ah estávamos... As pessoas já nem nos olhavam mais com perplexidade, ao perguntarmos como chegar a Maastricht sozinhas...

Heis que chegamos ao ápice da história... Quando digo, ápice, estou usando simultaneamente os sentidos literal e figurado da palavra... Logo depois veio uma put* descida! Não faço idéia de quantos km/h atingimos... O que sei é que a estrada tinha velocidade máxima de 70 Km/h (e eu que reclamo dos limetes de velocidade do Brasil!), e eu estava pouco (pouco mesmo!) mais devagar que os carros (na mesma velocidade que os caminhões...) E essa descida durou um tempinho bom... Mais de um minuto, com certeza!
O vento gelado (estava 12 graus nesse dia)... o cabelo voando...(os olhos ressecando, é verdade...)... as árvores... os carros...... e a plena consciência de que a qualquer momento eu poderia cair...

>>> PQP! Não sabia que podia voar! Nunca me senti tão livre na minha vida! Adrenalida é a melhor coisa do mundo!

Chegando lá em baixo...

...as placas sumiram!

>>> Fud**! Já fazia quase 3 horas que estávos viajando... Não aguentaríamos aquela subida! Entrei numa lojinha de beira de estrada para perguntar como ir para Maastricht, e o cara riu de mim... Não é que eu já estávamos em Maastricht!!! Hahuhauahu... E ainda cheguei em tempo de buscar o material e comprar a câmera.

Só mais uma observação: na Holanda, as placas escritas em vermelho, são para bikes; as escritas em branco, para carro. Heis a orgigem de toda a confusão!
Moral da história: muitas vezes seguimos na direção errada porque não entendemos os sinais a nossa volta. Vivendo e aprendendo! ;)

Sunday, 13 April 2008

Podia mudar o TÍTULO de novo!?

AGORA SIM! Tá mais a minha cara... VIAJANDO OH OH OHH...
A propósito, o título deve ser lido como na música do Ventania: O Diabo É Careta

Thursday, 10 April 2008

Simplesmente Imperturbável

Hoje eu estava indo fazer compras, caminhando tranquilamente, escutando música no iPod... O supermercado é meio longe, uns 25min a pé. Daí começou a chover, e eu nem estava vestindo meu super casaco impermeável, nem tinha um guarda-chuva. Mas simplesmente não me incomodou. Não fiquei com raiva, não sai correndo, nem mesmo apertei o passo... Tava numa paz, que eu poderia continuar caminhando por horas, podia parar de chover, podia recomeçar a chover, não importa, eu simplesmente tava me sentindo bem.

Mudando um pouquinho de assunto, queria registrar aqui como tudo é relativo mesmo... Hoje está uns 15 graus, estava chovendo e eu estava vestindo só uma camiseta e minha jaqueta rosa (de sempre) aberta e achando que tava bem quente... aliás, na volta, com o peso das compras estava de fato bem quente!

Monday, 7 April 2008

Podia mudar o TÍTULO?

O blog é meu, então acho que podia sim. Acho ainda, que não vai ser a única mudança! Afinal, estou sempre mudando...
A razão do primeiro título “Debão” é que o objetivo da criação desse blog é me conhecer melhor. E também porque acho que a Debão é o alterego mais legal da Débora. Mas estava muito narcisista.
O novo título “It’s all about the breaks” é uma frase que marcou meu intercâmbio e combina bem com o momento que estou passando... costumo brincar que estou numa “pausa” da minha vida, a qual está me proporcionando um momento bem legal de reflexão e auto-conhecimento... assim, o novo título não perde a essência do blog.
O ruim é que se eu a traduzir, a frase perde a sua origem e a sua essência; por outro lado, preferia um título em português. Mas não vou colocar um título qualquer, que não tenha significado... Um dia vai aparecer algo na minha mente piscando em luzes fosforecentes e eu vou ter certeza que esse será o título.

Pra que simplificar se posso complicar?

- Professor, qq tenho ler pra essa matéria? Tem algum livro ou qualquer material pra estudar?
- Só os slides.
- Os slides estão na internet!? Eu não encontrei...
- Não, vou entregá-los impressos.
- Legal! Quando?
- Na semana antes da prova.

Na semana seguinte, chega o professor e escreve na lousa o nome de um livro, pra quem quizesse se aprofundar na matéria.
Pior: eu comprei o livro!

>>> Pra que simplificar se eu posso complicar!?

Odeio admitir, mas é bem a minha cara fazer isso! Olha só, minha vida não podia estar mais socegada aqui em Pau... Ok, socegada demais mesmo! Tirando uma ou outra aula esporádica, não tinha nada, absolutamente nada, pra fazer... Eu poderia arrumar qualquer distração prazeirosa... mas não... pra que simplificar!?
Fui lá e comprei o livro. Pior que que comprar um livro de RH em francês, seria comprar um livro de RH em francês e não ler. Pois bem, heis que agora tenho uma obrigação... o que não seria de todo o mal, se parasse por aí... mas não... pra que simplificar!?
Insatisfeita (e com razão, diga-se de passagem) com o meu francês, pedi que me mandassem do Brasil uns livros de francês... Os livros chegaram, logo, tenho mais uma obrigação... ok, estou na França pra aprender francês msm, e estudar um pouco de gramática, pode vir a calhar... e num basta aprender só o francês escrito, então me comprometi a todo dia escutar o jornal... tudo bem se parasse por aí... mas não... pra que simplificar!?
Convenhamos, num dá pra passar o dia todo estudando francês ou estudando em francês. Então desenterreia aquela velha lista de livros que a gente sempre diz que vai ler e nunca arruma tempo e resolvi colocar em dia. Algumas horas de pesquisa na internet e consegir baixar todos os livros que queria, e ainda surgiram mais uns no meio do caminho... Agora tenho uma porrada de livros no meu PC e fico anciosa pra terminar logo um pra poder ler o próximo e assim sucessivamente... ok, pelo menos, apesar de me cobrar um pouco demais, é algo prazeiroso... se parasse por aí... mas não... pra que simplificar!?
Continuei arrumando corda pra me enforcar! Aproveitando que estava sobrando tempo, resovi baixar um curso de digitação e me comprometi a fazer ao menos uma lição por dia...
E também tenho esse blog... e ainda quero comentar os blogs dos meus amigos.
Pra quem não tinha nada pra fazer, eu consegui complicar bastante... todo dia agora tenho que estudar francês, ouvir o jornal, estudar pra facul, ler, escrever no blog e ainda fazer a porcaria da aula de digitação (aliás, tô puta com essa aula de digitação: porra, não consigo digitar “hidrosfera” 20 vezes em 45 segundos! e ainda tenho muita coisa pra fazer hoje pra ficar empacada nessa lição!!!)

Saturday, 5 April 2008

Sobre intercâmbio e torneiras...

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser." (Amyr Klint)

É díficil escrever qualquer coisa depois desse trecho - eu não poderia encontrar melhores palavras para expressar o que tenho vivido nos últimos meses...
O intercâmbio não agrega apenas pelos lugares, pessoas e culturas que conhecemos, mas também pela oportunidade de vermos os lugares, pessoas e culturas que já conhecíamos, ou acreditávamos conhecer, de outra óptica.
Em primeiro lugar, ao nos depararmos com outra cultura, nada mais é óbvio. Isso nos faz observarmos o mundo como uma criança. O ambiente não é mais somente um mero plano de fundo, um cenário esquecido, mas sim um curioso objeto de análise e cada detalhe parece saltar a nossos olhos.
Sempre pensei que a torneira da direita fosse a da água fria, e a da esquerda, a da água quente. Aliás, nunca pensei sobre isso - é óbvio como as torneiras funcionam! Pois experimente tomar um banho na Europa e verá que nada é óbvio.
Se meras torneiras nos despertam a mente pra refletir sobre sobre realidades distintas e traz a tona fatos que passam despercebidos no nosso cotidiamo, imagina o impacto de todas as novidades a que somos expostos durante um intercâmbio.
Além de tudo o que vivemos nos levar a refletir sobre o mundo que nos cerca, temos distância e tempo para analisarmos nossa própria vida. Depois de algum tempo fora, a nossa “vida real” parece um filme ou um livro, e assim, é possivel enxergá-la com um olhar mais crítico e objetivo.
Finalmente, o intercâmbio proporciona um melhor conhecimento de nós mesmos. Durante os meses que passamos fora, tudo o que exterior ao “eu” é trocado: o cenário é outro, as pessoas são outras... Separados de todos os elementos da construção de nossa identidade, fica mais evidente o “eu mesmo”.

Ah, ficou curioso como funcionam as torneiras na Europa!? Simples: a da esquerda serve pra abrir a água e a da direita (se é que podemos chamá-la de torneira) é pra regular a temperatura. Talvez devemos chamar isso de tecnologia, e talvez daqui uns anos as torneiras no Brasil sejam assim... e todo mundo, sem se dar conta, vai saber como usá-las e nunca vai pensar que algum dia não foi óbvio elas funcionarem assim.

Thursday, 3 April 2008

A todos os meus amigos...

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos juntos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Aulas, happy hours, festas, baladas, viagens, tardes atôa... Saudades até dos momentos de lágrimas e de angústia, das brigas, das vésperas de provas...

Sempre pensei que as amizades fossem pra sempre. Hoje já não tenho mais essa certeza. Num dia tudo parece eterno - lado a lado, somos iguais, somos inseparéveis... mas sem nos darmos conta cada um vai traçando seu caminho... a separação é sutil: não fruto de um desentendimento qualquer; fruto simplesmente do acaso, do destino, das escolhas... E cada um segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe manter contato trocando e-mails, podemos nos telefonar e conversar algumas bobagens...

Aí os dias vão passar, os meses vão passar... Passarão os anos... até esse contanto se tornar cada vez mais raro... e então vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos vão ver aquelas fotografias velhas e vão perguntar: “Quem são essas pessoas?” E vamos responder: “Eram meus amigos...” E isso vai doer tanto... porque estaremos pensando “eram meus amigos e foi com eles que vivi os melhores momentos da minha vida.”

“Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba...” (Por Enquanto, Legião Urbana)

“Somos um exército, um exército de um homem só...

... no difícil exercício de viver em paz.”

Não importa se estamos no meio de uma multidão ou sozinhos num quarto, no final, é só a gente contra a gente mesmo. Tenho passado batante tempo sozinha num quarto. tempo bastante pra refletir sobre várias coisas, dentre elas sobre o “estar só”. Ficar sozinho é mais difícil e mais recompensante do que parece. É uma batalha diária com o que pensamos e, portanto, com quem somos.
Só agora me dei conta do quanto é importante ter consciência de si próprio. Só assim é possível encarar o mundo e as pessoas de frente... Só assim é possível reconhecer os próprios sonhos, medos e limites... Só assim é possível encarar de frente a luta de ser feliz... Pois só assim é possível reconhecer o verdadeiro alvo e parar de culpar o outro... e só assim é possível vencer guerra de viver em paz... Somos o nosso próprio aliado e o nosso próprio inimigo. Porque não importa se estamos no meio de uma multidão ou sozinhos num quarto, no final, é só a gente contra a gente mesmo.

Tenho tentado organizar minhas idéias, pra ver se chego mais próximo de quem eu sou e quem sabe possa viver em paz... e heis que estou aqui tentando colocar em palavras um pouco do que penso.


Uma ressalva pra finalizar: não estou fazendo apologia à solidão! Muito pelo contrário, acho que o melhor da vida está na troca com outras pessoas. Estar só ou ser só não é a mesma coisa.